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8 de março – dia das mulheres trabalhadoras e a luta do feminismo radical.

SR9

“Mulheres Unidas” – poster do coletivo See Red

Hoje é comemorado o dia de luta das mulheres trabalhadoras, um dia para se lembrar de todas que construíram a luta feminista e contribuíram para a melhora dos direitos trabalhistas, mas também um dia para ir às ruas e continuar a luta que essas mulheres começaram. Ir para as ruas em atos é mostrar que, durante todo o ano, estaremos presentes para barrar e resistir aos ataques da direita, que atingem as mulheres seja em sua aposentadoria, seja pela intensificação da divisão sexual do trabalho. A divisão sexual do trabalho separa e estabelece uma hierarquia entre homens e mulheres, intensificando a diferença social nos postos de trabalho (trabalho “de mulher e de homem”) e dando valores monetários e sociais maiores para o trabalho dito masculino,  precarizando, assim, os postos de trabalhos ocupados por mulheres.

Estamos há dois meses de um governo de direita que se utiliza de uma batalha moral identitária para atacar e desmoralizar a esquerda,  e, ao mesmo tempo, apresenta planos de precarização do trabalho, que irão atingir com mais força as mulheres trabalhadoras. As mulheres são o maior contingente de desempregados no país, motivo pelo qual elas procuram trabalhos informais e perigosos, sejam aliciadas para a prostituição e sofram diversos tipos de violência e estigmatização. Além disso, as mulheres são as responsáveis pelo cuidado materno e do lar, tendo uma maior carga de trabalho e stress mental que os homens.  Para combater esse governo, precisamos estar organizadas e preparadas para enfrentar cada ataque direcionado a nós, precisamos entender como a divisão sexual do trabalho se evidencia nessa conjuntura.

O feminismo radical nasceu dentro da esquerda no final da década de 60 e não há como fazê-lo de outra maneira, a militância tem de ser feita pela esquerda e com todas as dificuldades que apresenta, não há atalhos na luta, é através da formação de base e da prática feminista que conseguiremos alcançar nossos objetivos.  A prática é o critério da verdade, é atuando no dia a dia que saberemos quais são as lutas e os anseios das mulheres brasileiras e conseguiremos definir com clareza nossas batalhas e estratégias. As feministas radicais do Brasil precisam se organizar e fazer a luta coletiva e, colocar as mulheres no centro da luta, é fundamental para o avanço da esquerda no país.

Neste 8 de março de 2019 a GARRa sai mais uma vez às ruas em marcha, para pedir justiça pelas vítimas de Brumadinho, atingidas pelas mãos da criminosa Vale e manifestar-se contra a reforma da previdência do governo Bolsonaro que só irá ampliar as desigualdades entre homens e mulheres na sociedade brasileira.  Lutamos também pela legalização do aborto e pela sua implementação de forma gratuita e segura em todo o SUS. O aborto ilegal segue sendo uma das principais causas de morte materna, uma evidência do controle patriarcal dos nossos corpos e a imposição da maternidade e da exploração da nossa capacidade reprodutiva.  Saímos em marcha para denunciar esse governo conservador e subserviente às pautas evangélicas, que declarou guerra às mulheres, querendo nos tomar o pouco que conquistamos!

Chamamos todas as feministas radicais do Brasil para juntarem-se conosco nessa luta, por um projeto feminista radical para todas as mulheres!

Nota de solidariedade e apoio às feministas radicais da Argentina.

Nosotras mujeres de la Grupa Ação e Resistência Radical Feminista demostramos nuestra solidaridad y apoyo a las compañeras de la agrupación F.R.I.A (Feministas Radicales Independientes de Argentina) y de la agrupación RadAr feminisnta por los recientes ataques sufridos en el 15 de febrero durante una asamblea para organizar el paro mundial del 8 de marzo, organizada por el movimiento Ni Una a Menos.

Hubo censura a las compañeras, a quienes impidieron de hablar sobre el abolicionismo de la prostitución durante la asamblea, lo que hiere su libertad de expresión y hace imposible el debate. También ocurrieron agresiones por parte de una persona trans que estaba presente en la asamblea.

Estas acciones, la censura y el impedimiento de la participación en espacios de construcción feminista no es algo nuevo para nosotras, feministas radicales brasileñas, tampoco para las feministas radicales alrededor del mundo. Nosotras de GARRa hemos sufrido muchos ataques en espacios dichos feministas en estos 5 años de existencia.

El feminismo se ha rechazado a discutir los asuntos más importantes para la vida de las mujeres, y las voces que van en contra al feminismo mainstream son silenciadas y depreciadas. Pero las feministas radicales y las feministas abolicionistas no serán calladas: seguiremos hablando de la relación íntima entre prostitución y la trata de mujeres y niños, y de cómo los proxenetas están infiltrados en el movimiento feminista.

Hay que ocupar siempre todos los espacios y luchar para que las voces de las mujeres que en realidad luchan por la liberación de todas las mujeres, y que hacen el verdadero feminismo, el feminismo no modificado, sean escuchadas.

No nos callaremos!


 

Nós mulheres da Grupa Ação e Resistência Radical Feminista expressamos nossa solidariedade e apoio às companheiras da coletiva FRIA (Feministas radicais independentes da Argentina) e da coletiva Radar Feminista pelos recentes ataques sofridos em 15 de fevereiro, durante a assembléia da organização  Ni una a Menos. As companheiras foram censuradas e impedidas de falar sobre o abolicionismo da prostituição durante a assembléia, o que fere sua liberdade de expressão e impossibilita o debate. Além disso, sofreram agressão física de uma pessoa trans presente na reunião.

Esse tipo de ação, a censura e o impedimento de participação em espaços de construção feminista, não é novidade para nós, feministas radicais brasileiras e nem para as feministas radicais que estão espalhadas pelo mundo. A GARRa por várias vezes, durante seus quase 5 anos de existência, tem sofrido ataques em espaços que se dizem feministas.

O feminismo tem se recusado a debater os assuntos mais importantes para a vida das mulheres, como a questão da prostituição, e as vozes que não estão de acordo com o feminismo mainstream são silenciadas e vilipendiadas. Mas as feministas radicais e as feministas abolicionistas não serão caladas: continuaremos a falar sobre a relação íntima entre prostituição e tráfico de mulheres e crianças, e como os cafetões estão infiltrados no movimento feminista.

Devemos sempre ocupar todos os espaços e lutar para que as vozes das mulheres que realmente lutam pela libertação de todas as mulheres, e que fazem o verdadeiro feminismo, o feminismo não modificado, sejam ouvidas!

Não nos calaremos!

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