Category: Feminismo Hoje

29 de Agosto – dia da visibilidade lésbica.

A GARRa acredita que a luta das mulheres lésbicas é uma luta de todas as mulheres! Somente através da criação de laços profundos, de admiração, de empatia, de compaixão, de AFETO entre mulheres que conseguiremos nos unir, nos organizar, estudar e lutar!

O mês de agosto de 2020 evidenciou que a lesbofobia ainda é forte dentro do movimento feminista e LGBT, mulheres lésbicas que estão ocupando as redes sociais foram atacadas por dizerem que amam mulheres, dois exemplos:

_ Uma mulher artista foi exposta e perdeu o emprego por falar algo tão simples e direto como: “uma mulher lésbica não femininilizada não é um homem trans”.

_Gisela dona de um bar no RJ, o Resiliência, sofreu ataques lesbofóbicos por dizer que ela queria um espaço onde as mulheres, e em especial as lésbicas, pudessem conversar!

Nenhuma dessas mulheres são fóbicas, espaços exclusivos não são sinônimo de espaços excludentes, ter orgulho de ser lésbica não é uma afronta a identidades diversas, elas são mulheres lésbicas que tem o direito de expressarem o amor que sentem e de estar com quem quiserem.

Esses ataques mostram que nós, feministas radicais, precisamos nos organizar e lutar pelos espaços exclusivos para mulheres, lutar pelos espaços políticos das lésbicas. A construção da caminhadas das lésbicas em BH é feita para fortalecer as lésbicas enquanto mulheres políticas, mas também para criar espaços de socialização que sejam seguros e criados pelas lésbicas.

Os movimentos tentam apagar a luta lésbica, chamando de “mulheres gays”, “mulheres LGBT”, “Identidade L”, “mulheres sáficas”, CHEGA DESSE APAGAMENTO!

A palavra para definir as mulheres que se relacionam com outras mulheres é Lésbica! Novamente temos que afirmar ano após ano: “Não somos ‘diversidade’, NÓS somos a RESISTÊNCIA!”

Fazemos um chamado às feministas radicais héterossexuais, o lugar de vocês também é na luta contra a lesbofobia e ajudando a construir esses espaços seguros para as companheiras.

Para nós da GARRa a frase que ainda é a mais representativa dos nosso sentimento pela luta da visibilidade lésbica sempre será: O amor entra as mulheres muda o mundo!

O debate do aborto no Brasil: a organização religiosa e a desmobilização feminista.

A pauta do aborto legal, gratuito e seguro no Brasil pode ser interpretada como uma pauta que somente é debatida quando tem algum caso emblemático acontecendo, do contrário o assunto é esquecido por grande parte da população e dos movimentos sociais, mas nunca é esquecida pelos grupos religiosos organizados. Essa é uma das certezas que tenho quando escrevo esse texto: a pauta do aborto nunca deixou de ser central para grupos fundamentalista religiosos, e infelizmente já deixou de ser central para o movimento feminista brasileiro. 

O caso que trouxe esse assunto de volta ao debate já deve ser conhecido por todos, uma garota de apenas 10 anos, foi estuprada pelo seu tio e engravidou. Algo terrivelmente comum no Brasil , sendo que em 2018 cerca de 35 mil meninas haviam sido estupradas, todas com menos de 13 anos, o que representa 53,6% do total de casos registrados do ano, lembrando que nem todos os casos chegam a ser registrados! E desse terrível número, retiramos outro: 21.172 meninas que ficaram grávidas de seus estuprados e não conseguiram ter acesso ao aborto legal. Meninas de menos de 14 anos que tiveram filhos de seus estupradores, e que estarão fadadas ao ciclo de pobreza e violência que a maternidade na adolescência causa. A diferença que ocorreu entre essas milhares de meninas esquecidas pelo governo e a menina de 10 anos, é que dessa vez houve uma mobilização feminista radical organizada para impedir que ela fosse mais uma dessas milhares. A coletiva feminista radical Sangra, que atua na cidade de São Paulo, rapidamente chamou para a mobilização virtual, através de um abaixo-assinado e de uma hashtag no twitter #gravidesaos10mata, para colocar em evidência o horror causado pela violência masculina contra uma de nós. Graças à essa ação acertada da Sangra, e a mobilização posterior das feministas radicais na rede, que mantiveram o debate rolando, e chamando cada vez mais pessoas, o caso ganhou visibilidade para que a menina tivesse acesso ao aborto que lhe é de direito. E aqui entramos em outro capítulo da pauta pelo aborto no país: a organização religiosa contra o aborto.

imagem feita por Coletiva Sangra

Os atos dos grupos religiosos contra o aborto:

Religiosos ligados ao governo se mobilizaram para impedir que ocorresse a interrupção, e eles agiram de diversas maneiras, indo até a casa da família, assediando as pessoas, assediando a criança, atacando os médicos responsáveis pelo procedimento, e tentando invadir o hospital. Engana-se quem acha que isso só aconteceu dessa vez, há muitos e muitos casos de ações parecidas ao longo dos anos. Porque isso são ações coordenadas e organizadas pelos grupos religiosos por anos. Ano passado o Tradição, Família e Propriedade (TFP) grupo de extrema direita, montou uma barraca em frente o hospital Pérola Byington para assediar mulheres, inclusive agredindo algumas.  Esse tipo de ação foi coordenada com grupos estrangeiros, copiando a mesma estratégia dos EUA . Houve reação de feministas brasileiras que montaram uma barraca para impedir que o grupo político-religioso atacassem mais pessoas. Em 2009 uma menina de apenas 9 anos, estuprada por seu padrasto, engravidou de gêmeos, houve o mesmo modus-operandi dos religiosos, com ataques e tentativas impedir o aborto de ocorrer. Em 2007 os grupos religiosos como CNBB e os evangélicos pentecostais já estavam organizados contra a pauta do aborto durante a vinda do papa ao país, e fizeram um protesto contra o então ministro da saúde do governo José Gomes Temporão, por ele ter se manifestado a favor de um plebiscito sobre o aborto legal. Em 2010 durante as eleições houve uma movimentação desses grupos religiosos contra os candidatos que eles julgavam ser pró-aborto. Em 2011 o STF fez o julgamento sobre a legalização do aborto em casos de anencefalia (ADPF 54), e novamente os grupos religiosos organizados fizeram vigílias na frente do STF. Esses grupos tiveram anos para se organizar e criar estratégias de atuação, mas, essas ações mais “abertas”, no sentido de serem mais visíveis e publicizadas não é a principal estratégia deles. A maior tática desses grupos tem sido a ocupação dos espaços políticos para barrar o aborto no Brasil em todas as instâncias. 

A estratégia religiosa.

    A frente parlamentar evangélica é a maior força política dos grupos religiosos de direita no país. Criada em 2003, ao longo dos anos foi se especializando em ocupar cargos estratégicos e barrar qualquer projeto de lei que favorecessem mulheres, a luta das pessoas homossexuais, e ideias progressistas. Em 2011 a bancada evangélica começa a mostrar a sua força, impedindo a distribuição da  cartilha contra homofobia, e que os políticos de direita chamaram de “kit gay”. Ocupando cargos dentro da comissão de direitos humanos, que foram obtidos por alianças e manobras políticas, em 2013 Marco Feliciano, evangélico, autor de falas abertamente homofóbicas e racistas, e acusado de estupro, ocupa a presidência da comissão, que até então era do PT. Além de Marco Feliciano começamos também a ouvir nomes que antes eram desconhecidos, como Eduardo Cunha, Magno Malta e João Campos. Todos esses políticos atuaram durante anos, na surdina, para barrar nossos direitos. Foi também em 2013 que o Estatuto do Nascituro (um PL de 2007) foi colocado para análise. O estatuto veio com a intenção de impedir as pesquisas com células tronco e definir que a vida começa na concepção, proibindo assim qualquer tipo de aborto no país. Além desses absurdos o estatuto ainda previa que em caso de estupro, quando o violentador fosse identificado ele poderia ser colocado na certidão de nascimento da criança e seria obrigatório o pagamento de pensão. O projeto foi estrategicamente engavetado, e é usado como chantagem sempre que a bancada evangélica pretende mostrar a sua força no controle das nossas vidas. 

O poder dessa frente evangélica fez com que a Portaria 415 fosse abolida, portaria essa que iria regulamentar o procedimento do aborto legal no SUS já previstos em lei. Obrigando os hospitais que fazem o aborto legal, a efetivamente realizá-los e impedindo que eles tivessem a escolha de não realizar o procedimento, como fez o Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam), nesse recente caso. Eduardo Cunha e Magno Malta orquestraram com a bancada evangélica para tirar essa portaria, e assim até hoje no país, mesmo que o hospital esteja na lista de locais que fazem aborto, eles podem se recusar a fazerem os procedimentos, pois não há nenhuma tipo de regulamentação em nível nacional. Por isso, a menina de 10 anos teve de passar por uma viagem do Espírito Santo até Recife. 

Outro capítulo da ameaça evangélica às mulheres e crianças é a ocupação dos conselhos tutelares. Os conselhos tutelares são órgãos responsáveis na proteção da criança e do adolescente, e o interesse dos evangélicos e católicos é conseguir controlar as pautas, impedindo que educação sexual sejam implementadas em escolas, fazendo o que eles chama de “combate a ideologia de gênero” ( a direita tem como definição por ideologia de gênero, qualquer pauta feminista, para eles a única pauta não ideológica sobre gênero é a reacionária), e mais recentemente,  agem ativamente para impedir que meninas estupradas tenham acesso ao aborto, e retirando da mãe, a guarda da filha por praticar uma religião que os evangélicos e católicos tanto odeiam.  Estar nesses espaços institucionais chave é uma estratégia dos religiosos, e assim eles vão dominando todas as instâncias (municipais, estaduais e nacional) dos poderes.  

Precisamos colocar aqui que, uma das figuras centrais do recente ataque religioso à uma crianças de 10 anos, Sara Giromini, não é de longe uma figura relevante ou mobilizadora nessa estratégia, ela é apenas uma bucha de canhão para gerar um ultraje e movimentar as redes sociais. Quem realmente tem poder nesse meio são juristas, advogados e pessoas que são influenciadas e financiadas por grupos internacionais contra o aborto, e estão aumentando a sua atuação na América Latina. O fato é que no governo Bolsonaro nunca se teve tão difícil o combate ao abuso infantil e o acesso ao aborto, e sites como ‘woman help woman’ e o ‘woman on waves’ diminuíram as suas ações no país. 

A desmobilização feminista

    Se na Argentina, Colômbia, Uruguai e Nicarágua vemos as pautas pelo aborto forte e no centro da luta das organizações feministas, aqui no Brasil a pauta está à míngua, fora em momentos reativos, como 2014 nos atos pela Jandira, mulher morta em decorrência de um aborto ilegal, e em 2018 onde os atos nacionais foram influenciados pelos levantes argentinos. 

Mobilização argentina pela legalização do aborto.

    Algumas organizações de esquerda brasileira tentam no STF a descriminalização do aborto. Há uma diferença entre descriminalizar e legalizar, o primeiro, se consegue através de uma decisão da justiça, e significa que se uma mulher é pega fazendo aborto não será presa, mas não quer dizer que o SUS terá de fornecer o aborto amplo, gratuito e seguro. Já a legalização tem de vir por vias legislativas, e garantiria o amplo acesso do aborto legal através do SUS, pelo menos é isso que todas nós queremos. A tentativa de conseguir a descriminalização pelo STF seria uma “via rápida” para um problema de saúde pública, mas assim como a via judicial não resolveu nos EUA, aqui também não se resolverá, pois se o aborto for descriminalizado no país, no dia seguinte a bancada evangélica irá desengavetar o estatuto do nascituro e irá aprovar ele, tanto é que no senado não há nenhuma senadora que apoia a descriminalização do aborto, mas são a favor de restringir o acesso ao aborto legal, nos casos já previstos por lei .  

    Acreditamos que o caminho para o Brasil seja como o da Argentina, que trilhou uma estratégia de anos, fazendo pequenos grupos em cidades, as campanhas, como elas chamam, fazendo ações coordenadas nacionalmente, e muito trabalho de base. E quando as campanhas conseguiram criar um momento de força, elas mostraram que são muitas e que, há sim uma disputa pela pauta, e que os governantes irão ter de fazer o debate ampliadamente. Elas podem não ter conseguido ainda o aborto legal, mas mostram que tem organização e estratégia, coisa que falta aqui no Brasil. Está na hora de nós, feministas independentes, sairmos das sombras de organizações que se dizem feministas, mas não estão mais pautando as mulheres, e começarmos nós a fazer essas estratégias de mobilizações em massa. Grupos tradicionais tem sim valor histórico, obviamente, mas quando eles burocratizam as pautas, não mais são mobilizadores ou aglutinadores, está na hora de tentarmos novos rumos. Nesse ponto acreditamos que o feminismo radical tem potencial para tomar a dianteira na luta pela legalização do aborto, e construir campos de atuação que possam avançar a luta!

Caminhadas Lésbicas e a Fúria que não nos permite calar!

Primeiro, um pouco da história

Em Belo Horizonte a Associação Lésbica de Minas – ALEM, foi a coletiva responsável em 1998 por organizar a primeira I Parada do Orgulho LGBT em Minas Gerais.

Na Parada Gay as lésbicas tiveram por muitos anos um trio elétrico, depois passaram a marchar no chão, como a comissão de frente, com a intenção de chamar as mulheres a caminharem juntas.

No ano de 2005, percebendo a necessidade de dar voz, visibilidade e espaço para as pautas lésbicas, que acabavam sendo abafadas pelas demais, que dominavam as ruas e as capas de jornais, a ALEM, após uma reunião de planejamento anual, decidiu por entregar a organização da Parada Gay para o CELLOS/MG e a se dedicar exclusivamente à construção da 1ª Caminhada Lésbica que aconteceu em um sábado de julho de 2005, um dia antes da Parada Gay de BH.

De 2005 (1ª) a 2009 (5ª) a Caminhada Lésbica de Belo Horizonte se chamava Caminhada das Lésbicas e Simpatizantes de BH, e aconteceram no sábado anterior a Parada Gay, no mês de julho.

V Caminhada Lesbica

Em 2010 (6ª) passou a se chamar Caminhada das Lésbicas, Bissexuais e Simpatizantes de BH, ainda ocorrendo no sábado a tarde anterior a Parada Gay, em julho.

Em 2011 (7º), a Caminhada passou a acontecer no mês de agosto, uma forma de se tornar totalmente independente da Parada Gay e assim fortalecer o mês que dos Orgulho (19/08) e Visibilidade (29/08) Lésbica, tendo ocorrido na tarde de 27 de agosto, passando então a se chamar Caminhada de Lésbicas e Bissexuais de BH.

Em 2011, com o encerramento das atividades da ALEM, a 11ª Caminhada das Lésbicas e Bissexuais de BH foi organizada por coletivos feministas, LGBT e mulheres independentes que decidiram, de maneira corajosa, não deixar morrer um ato tão importante.

Em 30 de agosto de 2019, a 15ª Caminhada das Lésbicas e Bissexuais de BH tomou as ruas de BH.

Segundo, a fúria

O breve resumo histórico feito desses quase 16 anos de luta, coragem, ousadia e negação de ficar nas sombras, que levou para as ruas mulheres que sempre defenderam sua independência para falarem por si, para exigirem e conquistarem respeito e visibilidade teve a intenção de declarar que estamos furiosas.

No “Verão Radical”, acampamento de verão organizado pela GARRa feminista esse mês de Janeiro, entre os dias 17 a 19, tivemos um painel para discutir a importância dos fortalecimento das Caminhadas Lésbicas do Brasil. Da discussão que se seguiu ficou cada dia mais evidente que as mulheres lésbicas não são nada na sociedade, as lésbicas são silenciadas constantemente, acusadas de transfobia, de bifobia e até mesmo de heterofobia por qualquer coisa que digam e não agrade, por todas as vezes que exigem serem ouvidas, vistas, respeitadas, cada vez que uma lésbica impõe um limite, ele é visto como agressivo, violento e fóbico!!!!

Em todo o mundo muitas Caminhadas, que sempre foram referência, estão perdendo sua identidade para agregar pautas que ignoram as vozes das lésbicas, que negam a sexualidade, a identidade política e social dessas mulheres.

Ver a história da Caminhada de BH, mesmo que resumida, deixa evidente a capacidade de mudança, diálogo, reconhecimento da importância de todas as mulheres que desejam somar, foram tantos temas, foram tantas cores, tantas canções, tantos gritos, tantas reuniões e meses dedicados ao Orgulho e a Visibilidade Lésbica, que acusar uma organização horizontal, independente e múltipla de ser perigosa e fóbica, é demonstrar o descaso com a história, o sangue, a vida e a voz das que foram expulsas de casa, mortas, estupradas, espancadas por amarem e decidirem priorizar suas vidas para outras mulheres.

Espaços que deveriam ser seguros, pois dizem ser para mulheres, além de calarem os pensamentos diversos, propõem boicotes a eventos e Caminhadas Lésbicas, enquanto alegam que o “seu protagonismo está na força da mulher sapatona” se negam ao diálogo, se negam a somar, preferem expulsões e ataques, usando da censura para manter o véu da “desconstrução” que não aceita diferenças, preferem marchar outras “caminhadas” a somar com a caminhada lésbica.

Esses locais usam da carência de atividades voltadas exclusivamente para mulheres, se nomeiam intolerantes a qualquer tipo de preconceito, mas impõem uma política de silêncio, perseguição e medo para aquelas que defendem que gênero é opressão, que a sexualidade está relacionada ao sexo e que lésbicas são mulheres que se relacionam afetivo/sexualmente exclusivamente com outras mulheres.

Sapatão se tornou uma palavra da moda, palavra essa que foi por anos um xingamento vulgar usado por aqueles que desejavam desmerecer as relações lésbicas, por isso, para tirar esse poder destruidor dessa palavra, as lésbicas a ressignificaram e a tornaram parte dos seus símbolos, entretanto, agora ela é usada como passe livre para fingir uma inclusão que exclui, virando quase um deboche com aquelas que têm sido colocadas no papel de opressoras apenas por não se submeterem a desonestidade agressiva dos que confundem (ou fingem confundir) gênero com sexo e têm tentado fazer das Caminhadas um palco para suas vaidades e fetiches, seja através de fofocas, ameaças veladas, negativa de diálogo, acusações sem provas ou cartas abertas repletas de rancor e sem nenhuma responsabilidade com as conseqüências dela.

Por isso estamos furiosas, porque nossa história não nos deixa mentir que SEMPRE tivemos como foco a libertação das mulheres, que SEMPRE estivemos abertas ao diálogo, que SEMPRE procuramos evoluir, mas é claro, sem perder a razão que colocou nas ruas a 1ª e a 15ª Caminhadas, que são o Orgulho e a Visibilidade das Mulheres Lésbicas.

Desta forma propomos que as mulheres se organizem, que estudem, que resgatem suas memórias e deixem de sentir culpa por serem quem são, como bem disse Audre Lorde “seu silêncio não o protegerá”, pelo contrário, ele dará a força necessária para que as pautas de ódio nos apaguem, nos torne ainda mais vulneráveis e que a nossa diversidade seja tratada como criminosa.

Há várias coletivas, há vários blogs sérios, há páginas e feministas dispostas a fazer com que a união entre mulheres, enquanto classe, seja uma realidade capaz de fazer a revolução que temos buscado, a revolução que fará com que a opressão do gênero não mais nos acorrente, permitindo com que sejamos livres, sejamos enfim humanizadas, sem que depilação, submissão, violência doméstica, maquiagem, salto alto e feminilidade sejam sinônimo de mulher.

Sejamos as donas dos nossos símbolos, sejamos aliança, união e resgate do amor entre mulheres que tem nos sendo usurpado pela falácia da rivalidade feminina, as Caminhadas Lésbicas são nossos espaços de luta, por isso devemos fortalecê-las, não apenas no dia em que irão sair nas ruas, mas em todos os dias do ano!

8 de março – dia das mulheres trabalhadoras e a luta do feminismo radical.

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“Mulheres Unidas” – poster do coletivo See Red

Hoje é comemorado o dia de luta das mulheres trabalhadoras, um dia para se lembrar de todas que construíram a luta feminista e contribuíram para a melhora dos direitos trabalhistas, mas também um dia para ir às ruas e continuar a luta que essas mulheres começaram. Ir para as ruas em atos é mostrar que, durante todo o ano, estaremos presentes para barrar e resistir aos ataques da direita, que atingem as mulheres seja em sua aposentadoria, seja pela intensificação da divisão sexual do trabalho. A divisão sexual do trabalho separa e estabelece uma hierarquia entre homens e mulheres, intensificando a diferença social nos postos de trabalho (trabalho “de mulher e de homem”) e dando valores monetários e sociais maiores para o trabalho dito masculino,  precarizando, assim, os postos de trabalhos ocupados por mulheres.

Estamos há dois meses de um governo de direita que se utiliza de uma batalha moral identitária para atacar e desmoralizar a esquerda,  e, ao mesmo tempo, apresenta planos de precarização do trabalho, que irão atingir com mais força as mulheres trabalhadoras. As mulheres são o maior contingente de desempregados no país, motivo pelo qual elas procuram trabalhos informais e perigosos, sejam aliciadas para a prostituição e sofram diversos tipos de violência e estigmatização. Além disso, as mulheres são as responsáveis pelo cuidado materno e do lar, tendo uma maior carga de trabalho e stress mental que os homens.  Para combater esse governo, precisamos estar organizadas e preparadas para enfrentar cada ataque direcionado a nós, precisamos entender como a divisão sexual do trabalho se evidencia nessa conjuntura.

O feminismo radical nasceu dentro da esquerda no final da década de 60 e não há como fazê-lo de outra maneira, a militância tem de ser feita pela esquerda e com todas as dificuldades que apresenta, não há atalhos na luta, é através da formação de base e da prática feminista que conseguiremos alcançar nossos objetivos.  A prática é o critério da verdade, é atuando no dia a dia que saberemos quais são as lutas e os anseios das mulheres brasileiras e conseguiremos definir com clareza nossas batalhas e estratégias. As feministas radicais do Brasil precisam se organizar e fazer a luta coletiva e, colocar as mulheres no centro da luta, é fundamental para o avanço da esquerda no país.

Neste 8 de março de 2019 a GARRa sai mais uma vez às ruas em marcha, para pedir justiça pelas vítimas de Brumadinho, atingidas pelas mãos da criminosa Vale e manifestar-se contra a reforma da previdência do governo Bolsonaro que só irá ampliar as desigualdades entre homens e mulheres na sociedade brasileira.  Lutamos também pela legalização do aborto e pela sua implementação de forma gratuita e segura em todo o SUS. O aborto ilegal segue sendo uma das principais causas de morte materna, uma evidência do controle patriarcal dos nossos corpos e a imposição da maternidade e da exploração da nossa capacidade reprodutiva.  Saímos em marcha para denunciar esse governo conservador e subserviente às pautas evangélicas, que declarou guerra às mulheres, querendo nos tomar o pouco que conquistamos!

Chamamos todas as feministas radicais do Brasil para juntarem-se conosco nessa luta, por um projeto feminista radical para todas as mulheres!

Nota de solidariedade e apoio às feministas radicais da Argentina.

Nosotras mujeres de la Grupa Ação e Resistência Radical Feminista demostramos nuestra solidaridad y apoyo a las compañeras de la agrupación F.R.I.A (Feministas Radicales Independientes de Argentina) y de la agrupación RadAr feminisnta por los recientes ataques sufridos en el 15 de febrero durante una asamblea para organizar el paro mundial del 8 de marzo, organizada por el movimiento Ni Una a Menos.

Hubo censura a las compañeras, a quienes impidieron de hablar sobre el abolicionismo de la prostitución durante la asamblea, lo que hiere su libertad de expresión y hace imposible el debate. También ocurrieron agresiones por parte de una persona trans que estaba presente en la asamblea.

Estas acciones, la censura y el impedimiento de la participación en espacios de construcción feminista no es algo nuevo para nosotras, feministas radicales brasileñas, tampoco para las feministas radicales alrededor del mundo. Nosotras de GARRa hemos sufrido muchos ataques en espacios dichos feministas en estos 5 años de existencia.

El feminismo se ha rechazado a discutir los asuntos más importantes para la vida de las mujeres, y las voces que van en contra al feminismo mainstream son silenciadas y depreciadas. Pero las feministas radicales y las feministas abolicionistas no serán calladas: seguiremos hablando de la relación íntima entre prostitución y la trata de mujeres y niños, y de cómo los proxenetas están infiltrados en el movimiento feminista.

Hay que ocupar siempre todos los espacios y luchar para que las voces de las mujeres que en realidad luchan por la liberación de todas las mujeres, y que hacen el verdadero feminismo, el feminismo no modificado, sean escuchadas.

No nos callaremos!


 

Nós mulheres da Grupa Ação e Resistência Radical Feminista expressamos nossa solidariedade e apoio às companheiras da coletiva FRIA (Feministas radicais independentes da Argentina) e da coletiva Radar Feminista pelos recentes ataques sofridos em 15 de fevereiro, durante a assembléia da organização  Ni una a Menos. As companheiras foram censuradas e impedidas de falar sobre o abolicionismo da prostituição durante a assembléia, o que fere sua liberdade de expressão e impossibilita o debate. Além disso, sofreram agressão física de uma pessoa trans presente na reunião.

Esse tipo de ação, a censura e o impedimento de participação em espaços de construção feminista, não é novidade para nós, feministas radicais brasileiras e nem para as feministas radicais que estão espalhadas pelo mundo. A GARRa por várias vezes, durante seus quase 5 anos de existência, tem sofrido ataques em espaços que se dizem feministas.

O feminismo tem se recusado a debater os assuntos mais importantes para a vida das mulheres, como a questão da prostituição, e as vozes que não estão de acordo com o feminismo mainstream são silenciadas e vilipendiadas. Mas as feministas radicais e as feministas abolicionistas não serão caladas: continuaremos a falar sobre a relação íntima entre prostituição e tráfico de mulheres e crianças, e como os cafetões estão infiltrados no movimento feminista.

Devemos sempre ocupar todos os espaços e lutar para que as vozes das mulheres que realmente lutam pela libertação de todas as mulheres, e que fazem o verdadeiro feminismo, o feminismo não modificado, sejam ouvidas!

Não nos calaremos!

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