Nota de repúdio contra a lesbofobia do Vereador Paulo Eduardo Gomes

“Sexismo é a fundação onde toda tirania é construída. Toda forma social de hierarquia e abuso é moldada tendo como ponto de partida a dominação macho-fêmea.”
Andrea Dworkin

Os coletivos Feministas Radicais do Brasil vêm por meio desta nota apresentar repúdio diante as falas lesbofóbicas e misóginas do vereador do PSOL Paulo Eduardo Gomes contra a vereadora Verônica Lima, que atua na Câmara dos Vereadores de Niterói – Rio de Janeiro. No dia 07 de julho de 2021, o vereador Paulo Eduardo Gomes agrediu verbalmente Verônica ao dizer: “Quer ser homem? Então vou te tratar como homem”, e em seguida tentou agredi-la fisicamente. 

Ainda, segundo relato da vereadora Verônica, que pode ser visto no vídeo (inicia às 2h52), os ataques desse homem contra outros vereadores são recorrentes e ela é uma das únicas pessoas a se colocar contra as agressões. É um absurdo que um representante do povo na Câmara dos Vereadores tenha uma postura agressiva, especialmente contra mulheres.

A fala do vereador reflete a lesbofobia que as lésbicas sofrem diariamente, ao terem a sua homossexualidade diminuída. Os homens intencionalmente colocam a lesbianidade como se fosse uma tentativa das mulheres de “serem homens”, pois para eles é impensável que uma mulher possa querer se relacionar exclusivamente com outra mulher. Esse pensamento mostra, acima de tudo, o ódio que os homens têm contra as mulheres que ousam confrontar a heterossexualidade compulsória. Chamar as lésbicas de “homens” tem sido uma maneira recorrente de diminuir o valor das mulheres lésbicas dentro de uma sociedade em que o único valor da mulher é servir ao homem. A fala do vereador é, assim, reacionária e recheada de ódio.

Não sendo suficiente a lesbofobia no discurso, o vereador Paulo Eduardo Gomes ainda tentou agredir fisicamente a vereadora Verônica, mostrando que a violência masculina é um denominador comum dos homens, independentemente de seu espectro político. 

O ocorrido contrasta com as ações do PSOL que encabeça, por exemplo, campanhas como “Nem pensem em nos matar”, na busca por denunciar os casos de agressão masculina contra as mulheres. 


A nota divulgada pelo PSOL, porém, foi completamente contrária ao que essa campanha em que o partido é signatário propõe, afirmando que os setoriais irão conversar e fazer com que “o companheiro compreenda com profundidade a gravidade de seus atos e os supere por posturas respeitosas com as mulheres e LGBTs.”

Não nos esqueçamos que, quando a deputada Isa Penna, do PSOL, sofreu assédio por parte de um Deputado do Cidadania, Fernando Cury, o partido exigiu, corretamente,  uma ação firme por parte da Assembléia, e inclusive protocolou um pedido de cassação do deputado. É inquestionável que uma agressão verbal e uma tentativa de agressão física também deveriam ter uma punição firme. Contudo, a nota do partido sobre as agressões praticadas por Paulo Eduardo, o chamando inclusive de “militante histórico”, deixa a entender que as agressões de seus filiados são menos violentas que as de outros partidos, e isso não condiz com a ideia de luta progressista que o partido carrega.

Esperamos que o PSOL tenha uma conduta mais forte e decente diante desse caso, razão pela qual exigimos que o vereador seja punido pelo partido e pela Câmara dos Vereadores de Niterói.

Prestamos nossa solidariedade à vereadora Verônica Lima, e reiteramos que nenhuma lésbica deveria passar por um ataque tão vil e baixo, especialmente em um local de debate político e que tem o objetivo de trazer melhoras para a vida de toda a população.

Não aceitaremos lesbofobia e misoginia!

Não nos calaremos diante da violência masculina independente do partido que ela venha. 

Grupa Ação e Resistência Radical feminista – GARRa feminista
Coletiva Mulheres Autônomas Raiz – MARIZ
Coletiva Feminista Radical Matinta
Coletiva Feminista Maria Angélica Ribeiro 
Coletivo Lilith
Coletiva Maré
Coletiva Raízes da Luta

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