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Vitória das feministas argentinas, uma vitória de todas as mulheres!

A cada país onde o aborto é legalizado é uma vitória importante para todas as mulheres do mundo, porque a luta feminista não é isolada, ou fechada por fronteiras. A luta das mulheres não é feita de maneira separada e os seus resultados tanto positivos quanto negativos são sentidos em todos os países.

Para nós aqui no Brasil, a legalização do aborto na Argentina traz muitas questões a serem pensadas. Primeiro que dá uma nova esperança para o movimento feminista atual, que no Brasil anda desmobilizado e enfraquecido devido à dupla militância de muitas mulheres organizadas em partidos, onde cada vez com mais tarefas de fazer a luta das pautas políticas, colocam a luta das mulheres de lado, e esvaziam as frentes pelo aborto criadas em todo o país. Essa esperança precisa ser transformada em mobilização e ação, e não ficar esperando as tradicionais organizações mistas fazer o chamado à luta, ou sempre estaremos a mercê de lideranças masculinas que no passado venderam a luta do aborto pelo voto evangélico. Em segundo temos que a mobilização da bancada evangélica liderada pela ministra Damares irá aumentar os esforços contra a legalização do aborto e pela dissolução das leis já existentes no Brasil. Recentemente vimos que os conselhos tutelares, foram ocupados por uma massa evangélica e agem como um exército para evitar que crianças e jovens tenham acesso ao aborto previsto em lei, em caso de estupro e anencefalia. Cada vez mais financiados por organizações internacionais e formando juristas, e intelectuais contra o aborto, a direita segue criando no Brasil uma conjuntura que pode levar à destruição dos direitos das mulheres.

Campanha Nacional pelo Direito ao Aborto Legal, Seguro e Gratuito:

Na Argentina há também uma organização forte da direita contra o aborto, mas porque então as feministas conseguiram esse avanço tão importante? A formação da Campanha Nacional pelo Direito ao Aborto Legal, Seguro e Gratuito ocorreu em 2005, e conta com mais de 700 organizações que estão presente em todos os estados, as cidades que possuem a Campanha, tem suas organizações menores que fazem mobilização e conscientização atuando de forma unificada, onde as pautas e ações são as mesmas para todos os locais!

Ao longo desses 15 anos de atuação a campanha apresentou 8 vezes um projeto de lei para a legalização do aborto no país. Em 2018 chegou muito perto da vitória, quando o PL foi aprovado na câmara mas não passou no senado. A Campanha não diminuiu as ações mesmo na pandemia, e esse ano fez a Jornada federal pelo aborto legal, com carreatas, e intervenções online e nas ruas.

Conjuntura favorável se constrói!

Se uma conclusão que sempre devemos ter em mente enquanto feministas é que a conjuntura favorável não cai do céu, se constrói, e se constrói com muita luta, disputa do discurso, perseverança e ações de base. A vitória das feministas argentinas não é uma vitória de apenas 15 anos de mobilização intensa, mas é uma luta que se trava mesmo durante a ditadura militar, assim como ocorreu no Brasil com as feministas organizadas na área da saúde.

Na luta das mulheres, nada nos foi dado de uma hora para outra, todos os nossos direitos foram conquistados com muito esforço, e muita organização. Não há sucesso para a luta das mulheres na desmobilização e na espera de que algum político apareça para nos dar a nossa autonomia reprodutiva (que é nosso direito) em uma bandeja. Mesmo porque, como aprendemos nos governos Lula e Dilma, não podemos esperar pela boa vontade dos políticos de esquerda, que no primeiro momento rapidamente nos rifaram em prol do voto evangélico.

A construção de uma conjuntura favorável para a legalização do aborto depende de nós, mulheres, nos organizarmos para que ocorra a mudança de pensamento na sociedade. Precisamos estar nos espaços disputando as ideias, mostrando o nosso lado, com argumentos e mostrando que estamos sempre à favor das mulheres. Que nossa demanda pelo aborto legal, seguro e gratuito, é uma demanda de direitos básicos das mulheres.

E o único caminho para alcançarmos o nosso objetivo é o caminho da organização feminista. Não há luta individual dentro do feminismo, precisamos nos organizar em coletivos, formar frentes de luta, colaborações entre organizações, nacionais e internacionais, precisamos estar nas ruas, formando novas feministas, divulgando material feminista e fazendo o debate.

Nós acreditamos na potencia das mulheres, na potencia da nossa organização, e sabemos que podemos ter a nossa maré verde, e iremos lutar para que o Brasil tenha o aborto legal, seguro e gratuito para todas as mulheres.

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