Tradução do livro Beleza e Misoginia da Sheila Jeffreys

Como parte do nosso clube de leitura,traduzimos os capítulos que faltam do livro Beleza e Misoginia da feminista radical Sheila Jeffreys.

Os primeiros 4 capítulos traduzidos por Larissa Azevedo podem ser encontrados no site: feminismoptbr.blogspot.com

Ou podem ser baixados aqui:

Os capítulos 5 à conclusão podem ser baixados em formato de pdf. aqui:

DIA INTERNACIONAL DE LUTA CONTRA HOMOFOBIA

No dia 17 de maio de 1990 a Assembléia Geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da CID (Classificação Internacional de Doenças), formalizando assim, o que sempre foi sabido, homossexualidade não é doença.

Nascia o Dia Internacional contra a Homofobia.

Violência essa que atinge de forma bárbara todas as lésbicas, a exemplo do estupro corretivo, do apagamento dos símbolos lésbicos, da negação da participação das lésbicas na luta contra todo tipo de opressão contra mulheres.

A existência lésbica foi e sempre será sinônimo de resistência, considerando que as mulheres que amam exclusivamente outras mulheres rompem com a norma mais primitiva do patriarcado, as relações centradas no falo.

Portanto, celebramos não apenas pela homossexualidade ter deixado de constar na lista de CID’s, mas principalmente por todas que vieram antes de nós e com garra, sangue e fôlego fizeram com que essa marca deixasse de queimar em nossa pele.

“Antes que qualquer tipo de movimento feminista existisse, ou pudesse existir, lésbicas existiam: mulheres que amam mulheres, que se recusam a cumprir com as regras do comportamento imposto às mulheres, que se recusam a se definirem em relação aos homens. Essas mulheres, nossas antepassadas, milhões cujos nomes não sabemos, foram torturadas e queimadas como bruxas; difamadas em tratados religiosos e, posteriormente, “científicos”; retratadas na arte e na literatura como mulheres bizarras, alheias à moral, destrutivas e decadentes. Durante muito tempo as lésbicas foram a personificação do mal feminino.” Adrienne Rich

Clube de Leitura radical 1º semestre de 2020

Vamos falar um pouquinho sobre a autora escolhida para o lançamento do Clube de Leitura Radica, Sheila Jeffreys e o livro Beleza e Misoginia.

Jeffreys é uma feminista radical inglesa, que vive na Austrália, nascida em 1948, começou sua atuação política e feminista na década de 1970. Fez parte de um grupo feminista socialista e por apontar que homens são os culpados pela opressão das mulheres, foi expulsa.
Criticaram seu “ódio aos homens”, porque para Sheila, é impossível se aliar aos homens e avançar a luta feminista.

Sheila é lésbica e desde 1973 escreve sobre o lesbianismo político, sobre como é contraditório lutar por mulheres e dedicar energia e afetividade ao inimigo. Escreve sobre a perspectiva lésbica revolucionária em muitos dos seus trabalhos.

Em seu livro Beleza e Misoginia, o primeiro título escolhido para o Clube de Leitura Radical, aborda a objetificação dos corpos femininos e critica ferozmente os padrões de beleza e papéis de gênero.
Aponta e explica porque as práticas de beleza, como a maquiagem, cirurgias plásticas e outros procedimentos invasivos, são ferramentas da dominação masculina.

Outros livros dela:

Os debates sobre sexualidade (1987);
Anticlimax: uma perpectiva feminista sobre a revolução sexual (1990);
A heresia lésbica, uma perpectiva feminista sobre a revolução sexual lésbica (1993);
Gênero Dói: uma análise feminista das políticas do transgenerismo (2014); dentre outros


Estamos com um evento novo para o ano de 2020, o “CLUBE DE LEITURA RADICAL”!📚📖

– Faremos de duas a três leituras por ano, uma sempre será de escritora feminista radical e a(s) outra(s) de uma escritora feminista que poderá ser radical ou não!

– Faremos discussões online (um grupo de zap exclusivamente para conversar sobre as leituras), e um encontro para o debate final e confraternização!🎶

– A primeira leitura será “Beleza e Misoginia” da Sheila Jeffreys, que vamos disponibilizar em pdf. traduzido em português.

– O encontro para a discussão do livro, e a nossa confraternização, será dia 6 de Junho, e ocorrerá aqui em Belo Horizonte!

– Serão 30 vagas. Iremos priorizar inicialmente as mulheres de BH e região, mas as inscrições são abertas para todos os estados!

Para participar se inscreva no formulário:
https://forms.gle/EaJemnF6eVwx1fAMA

O Clube de Leitura Radical é exclusivamente para mulheres!🙋‍♀️🙋‍♀️

Caminhadas Lésbicas e a Fúria que não nos permite calar!

Primeiro, um pouco da história

Em Belo Horizonte a Associação Lésbica de Minas – ALEM, foi a coletiva responsável em 1998 por organizar a primeira I Parada do Orgulho LGBT em Minas Gerais.

Na Parada Gay as lésbicas tiveram por muitos anos um trio elétrico, depois passaram a marchar no chão, como a comissão de frente, com a intenção de chamar as mulheres a caminharem juntas.

No ano de 2005, percebendo a necessidade de dar voz, visibilidade e espaço para as pautas lésbicas, que acabavam sendo abafadas pelas demais, que dominavam as ruas e as capas de jornais, a ALEM, após uma reunião de planejamento anual, decidiu por entregar a organização da Parada Gay para o CELLOS/MG e a se dedicar exclusivamente à construção da 1ª Caminhada Lésbica que aconteceu em um sábado de julho de 2005, um dia antes da Parada Gay de BH.

De 2005 (1ª) a 2009 (5ª) a Caminhada Lésbica de Belo Horizonte se chamava Caminhada das Lésbicas e Simpatizantes de BH, e aconteceram no sábado anterior a Parada Gay, no mês de julho.

V Caminhada Lesbica

Em 2010 (6ª) passou a se chamar Caminhada das Lésbicas, Bissexuais e Simpatizantes de BH, ainda ocorrendo no sábado a tarde anterior a Parada Gay, em julho.

Em 2011 (7º), a Caminhada passou a acontecer no mês de agosto, uma forma de se tornar totalmente independente da Parada Gay e assim fortalecer o mês que dos Orgulho (19/08) e Visibilidade (29/08) Lésbica, tendo ocorrido na tarde de 27 de agosto, passando então a se chamar Caminhada de Lésbicas e Bissexuais de BH.

Em 2011, com o encerramento das atividades da ALEM, a 11ª Caminhada das Lésbicas e Bissexuais de BH foi organizada por coletivos feministas, LGBT e mulheres independentes que decidiram, de maneira corajosa, não deixar morrer um ato tão importante.

Em 30 de agosto de 2019, a 15ª Caminhada das Lésbicas e Bissexuais de BH tomou as ruas de BH.

Segundo, a fúria

O breve resumo histórico feito desses quase 16 anos de luta, coragem, ousadia e negação de ficar nas sombras, que levou para as ruas mulheres que sempre defenderam sua independência para falarem por si, para exigirem e conquistarem respeito e visibilidade teve a intenção de declarar que estamos furiosas.

No “Verão Radical”, acampamento de verão organizado pela GARRa feminista esse mês de Janeiro, entre os dias 17 a 19, tivemos um painel para discutir a importância dos fortalecimento das Caminhadas Lésbicas do Brasil. Da discussão que se seguiu ficou cada dia mais evidente que as mulheres lésbicas não são nada na sociedade, as lésbicas são silenciadas constantemente, acusadas de transfobia, de bifobia e até mesmo de heterofobia por qualquer coisa que digam e não agrade, por todas as vezes que exigem serem ouvidas, vistas, respeitadas, cada vez que uma lésbica impõe um limite, ele é visto como agressivo, violento e fóbico!!!!

Em todo o mundo muitas Caminhadas, que sempre foram referência, estão perdendo sua identidade para agregar pautas que ignoram as vozes das lésbicas, que negam a sexualidade, a identidade política e social dessas mulheres.

Ver a história da Caminhada de BH, mesmo que resumida, deixa evidente a capacidade de mudança, diálogo, reconhecimento da importância de todas as mulheres que desejam somar, foram tantos temas, foram tantas cores, tantas canções, tantos gritos, tantas reuniões e meses dedicados ao Orgulho e a Visibilidade Lésbica, que acusar uma organização horizontal, independente e múltipla de ser perigosa e fóbica, é demonstrar o descaso com a história, o sangue, a vida e a voz das que foram expulsas de casa, mortas, estupradas, espancadas por amarem e decidirem priorizar suas vidas para outras mulheres.

Espaços que deveriam ser seguros, pois dizem ser para mulheres, além de calarem os pensamentos diversos, propõem boicotes a eventos e Caminhadas Lésbicas, enquanto alegam que o “seu protagonismo está na força da mulher sapatona” se negam ao diálogo, se negam a somar, preferem expulsões e ataques, usando da censura para manter o véu da “desconstrução” que não aceita diferenças, preferem marchar outras “caminhadas” a somar com a caminhada lésbica.

Esses locais usam da carência de atividades voltadas exclusivamente para mulheres, se nomeiam intolerantes a qualquer tipo de preconceito, mas impõem uma política de silêncio, perseguição e medo para aquelas que defendem que gênero é opressão, que a sexualidade está relacionada ao sexo e que lésbicas são mulheres que se relacionam afetivo/sexualmente exclusivamente com outras mulheres.

Sapatão se tornou uma palavra da moda, palavra essa que foi por anos um xingamento vulgar usado por aqueles que desejavam desmerecer as relações lésbicas, por isso, para tirar esse poder destruidor dessa palavra, as lésbicas a ressignificaram e a tornaram parte dos seus símbolos, entretanto, agora ela é usada como passe livre para fingir uma inclusão que exclui, virando quase um deboche com aquelas que têm sido colocadas no papel de opressoras apenas por não se submeterem a desonestidade agressiva dos que confundem (ou fingem confundir) gênero com sexo e têm tentado fazer das Caminhadas um palco para suas vaidades e fetiches, seja através de fofocas, ameaças veladas, negativa de diálogo, acusações sem provas ou cartas abertas repletas de rancor e sem nenhuma responsabilidade com as conseqüências dela.

Por isso estamos furiosas, porque nossa história não nos deixa mentir que SEMPRE tivemos como foco a libertação das mulheres, que SEMPRE estivemos abertas ao diálogo, que SEMPRE procuramos evoluir, mas é claro, sem perder a razão que colocou nas ruas a 1ª e a 15ª Caminhadas, que são o Orgulho e a Visibilidade das Mulheres Lésbicas.

Desta forma propomos que as mulheres se organizem, que estudem, que resgatem suas memórias e deixem de sentir culpa por serem quem são, como bem disse Audre Lorde “seu silêncio não o protegerá”, pelo contrário, ele dará a força necessária para que as pautas de ódio nos apaguem, nos torne ainda mais vulneráveis e que a nossa diversidade seja tratada como criminosa.

Há várias coletivas, há vários blogs sérios, há páginas e feministas dispostas a fazer com que a união entre mulheres, enquanto classe, seja uma realidade capaz de fazer a revolução que temos buscado, a revolução que fará com que a opressão do gênero não mais nos acorrente, permitindo com que sejamos livres, sejamos enfim humanizadas, sem que depilação, submissão, violência doméstica, maquiagem, salto alto e feminilidade sejam sinônimo de mulher.

Sejamos as donas dos nossos símbolos, sejamos aliança, união e resgate do amor entre mulheres que tem nos sendo usurpado pela falácia da rivalidade feminina, as Caminhadas Lésbicas são nossos espaços de luta, por isso devemos fortalecê-las, não apenas no dia em que irão sair nas ruas, mas em todos os dias do ano!

A programação do Verão Radical 2020 está no ar!

O evento está imperdível, temos 15 vagas disponíveis, a inscrição custa R$72 reais que serão para cobrir os custos de alimentação (café da manhã, almoço, lanche e janta), estadia e transporte (ida e volta do centro de BH até o sítio) durante os 3 dias.
Nós da GARRa feminista não iremos ter nenhum lucro com esse valor, estamos cobrando apenas o que iremos gastar com o acampamento.

O acampamento é para mulheres maiores de 18 anos, e por ser em um local afastado do centro urbano não iremos aceitar crianças, pois não podemos garantir 100% a segurança delas em um local afastado de hospitais.

Segue a nossa programação!

Programação

Sexta feira – 17 de Janeiro

18 horas – acolhimento

20 horas – apresentação da GARRa e do acampamento

21 horas – Confraternização

Sábado  – 18 de Janeiro

Manhã –

8 horas – café da manhã

9:15 horas – Origens do Patriarcado & História do feminismo radical.

11 horas – Almoço

14 horas – Oficina segurança Digital

17 horas – A importância do feminismo lésbico radical e do fortalecimento das Caminhadas lésbicas do país/ Lesbianismo político – o real debate

18 horas-  documentário Angry Wimmin e debate do filme.

20 horas – Janta/ confraternização

Domingo- 19 de Janeiro

Manhã –

8 horas- café da manhã

9:15 horas – Conjuntura brasileira e o feminismo radical no Brasil.

11 horas –  almoço

14 horas – rodas de conversa/palestras – escolha das participantes por enquete.

17 horas – fechamento/despedida

A inscrição pode ser feita pelo formulário: https://forms.gle/TDjHsPNSQcWJA2nb7

As vagas são limitadas!!!
Recadinhos – Iremos vender bons drinks durante as nossas confraternização e teremos uma lojinha para vender alguns produtos da GARRa, todo o dinheiro é para manter a coletiva funcionando e financiando as nossas ações! 😉
programacao_carrossel_1programacao_carrossel_2programacao_carrossel_3programacao_carrossel_4

Verão Radical – Acampamento de Verão feminista radical

capa_fbperfil

 

Vem aí o Acampamento de Verão da GARRa feminista!

Serão 3 dias de programação em um sítio na região metropolitana de Belo Horizonte!
Falaremos sobre feminismo radical em discussões com mais aprofundamento, iremos oferecer também oficinas e cine debate, além de confraternizações para nos conhecermos melhor! Vamos aproveitar o verão ao lado de feministas radicais, conhecendo mulheres, estudando juntas o movimento feminista e curtindo as férias!

O acampamento irá ocorrer nos dias 17, 18 e 19 de Janeiro, sendo que todas as mulheres inscritas irão dormir no local. Será disponibilizado alimentação (café da manhã, almoço, lanche e janta), além da acomodação e do transporte do Centro de Belo Horizonte até o sítio localizado na cidade de Rio Acima.
O sítio é uma casa ampla que possui quartos com beliches, camas de casal e solteiro disponíveis, há também a opção para quem quiser levar barraca e acampar, a casa tem 4 banheiros disponíveis para uso coletivo, cozinha e ambientes para que todas tenham conforto.

A inscrição para o Acampamento tem um custo de R$72 reais, onde esse valor é para cobrir a alimentação completa, estadia e transporte (ida e volta do centro de BH até o sítio) durante os 3 dias. Nós da GARRa feminista não iremos ter nenhum lucro com esse valor, estamos cobrando apenas o que iremos gastar com o acampamento.

O acampamento é para mulheres maiores de 18 anos, e por ser em um local afastado do centro urbano não iremos aceitar crianças, pois não podemos garantir 100% a segurança delas em um local afastado de hospitais.

A inscrição pode ser feita pelo formulário: https://forms.gle/TDjHsPNSQcWJA2nb7

As vagas são limitadas!!!
Recadinhos – Iremos vender bons drinks durante as nossas confraternização e teremos uma lojinha para vender alguns produtos da GARRa, todo o dinheiro é para manter a coletiva funcionando e financiando as nossas ações! 😉
Programação completa em breve, fiquem ligadas!

Estudar, Organizar, Lutar!

A luta lésbica é a luta do feminismo!

WhatsApp Image 2019-08-28 at 21.02.18

A necessidade de se posicionar e afirmar em uma sociedade patriarcal, misógina e falocêntrica é parte da agenda feminista desde que as primeiras mulheres se negaram a cumprir o papel determinado para elas em razão do sexo com o qual nasceram, o feminino.

Para uma lésbica, a necessidade de ser posicionar e afirmar ganha um peso maior, porque além de terem nascido no sexo que é oprimido desde o primeiro choro, elas rompem com o ideal heteronormativo das relações construídas em torno da figura masculina.

As lésbicas vão de encontro com a estrutura que determina que o destino biológico das mulheres é nascer, ser filha, em seguida esposa, mãe e cuidadora, porque as mulheres que amam/desejam outras mulheres não pautam seus afetos de acordo com essa determinação limitadora.

Tanto que a perseguição às lésbicas é documentada desde os primeiros registros históricos, a exemplo das poesias de Safo que foram queimadas pelos monges copistas em 1073 por serem consideradas “obscenas”.

Em 1969, A escritora e teórica Betty Friedan, em um discurso para a National Organization for Women – Organização Nacional para as mulheres (NOW), a qual fundou, chamou as integrantes lésbicas da organização de Lavander Menace – Ameaça Lavanda, afirmando que elas manchavam a reputação do grupo, afastavam outras mulheres e desviavam a atenção de pautas mais importantes na luta pela igualdade.

Com essa situação, as feministas lésbicas decidiram fundar seus próprios grupos, para provar a importância de suas lutas e transformar o constrangimento em orgulho.

Dentre os grupos que nasceram desse rompimento está o que se denominou de Lavander Menace, que em 1970 interrompeu o Second Congress to Unite Women (organizado pelo NOW) apagando as luzes do local, tomando os microfones e distribuindo o manifesto “The Women Identified Women” que é considerado um marco no feminismo radical e o início do feminismo lésbico, ao afirmar, dentre outras coisas, que as lésbicas estavam na vanguarda da luta pela nossa libertação, tendo em vista que sua identificação com outras mulheres desafiava as definições de identidade feminina em termos de parceiros sexuais masculinos.

Em 1975, Adrienne Rich, escreveu

 “Antes que existisse ou pudesse existir qualquer classe de movimento feminista, existiam as lésbicas. Mulheres que amavam outras mulheres, que recusavam o comportamento esperado delas, que recusavam definir-se em relação aos homens. Aquelas mulheres, nossas antepassadas, milhares cujos nomes não conhecemos, foram torturadas e queimadas como bruxas, caluniadas em escritos religiosos, e mais tarde “científicos”,  retratadas na arte e na literatura como mulheres bizarras, amorais, destrutivas, decadentes. Por um longo tempo as lésbicas foram a personificação do mal feminino.”

Ser lésbica é mais que ser uma mulher que ama/deseja outras mulheres, é também priorizar todas nós e por esta razão ser alvo das mais levianas acusações, das mais cruéis perseguições, porque o instinto de uma mulher lésbica é defender, cuidar, lutar, se orgulhar e levantar as bandeiras de proteção à outras mulheres, essa atitude fere com tudo que o patriarcado espera de nós em sociedade.

Por isso o ataque, a censura, as mentiras e manipulações sempre tentam primeiro derrubar os grupos que priorizam mulheres, que colocam nas ruas Caminhadas Lésbicas e eventos exclusivamente para nós, porque priorizar meninas e mulheres é dizer não ao que o patriarcado impõe, é ir contra uma estrutura que vulgariza, desumaniza, estupra e violenta nossos corpos, pensamentos, desejos, sonhos e conquistas.

O Grupo Lésbico-Feminista foi fundado em São Paulo no ano de 1979, por mulheres que primeiro integraram o Grupo Somos de Afirmação Homossexual, que ao perceberem que as pautas lésbicas eram sempre invisibilizadas diante as pautas gays decidiram se fortalecer em uma coletiva própria. As que restaram desse grupo, que se desfez em meados de 1981, lançaram a cartilha ChanaComChana para arrecadar fundos, tendo sido expulsas do Ferros Bar que proibiu a sua venda, o que culminou no levante que ocorreu em 19/08/1983, data que desde então marca o Dia do Orgulho Lésbico.

O dia 29 de agosto, dia da Visibilidade Lésbica, foi proposto em 1996, no SENALE (hoje SENALESBI), com a intenção de registrar a existência lésbica, como também a necessidade de que o debate de lésbicas para lésbicas, da mesma forma a voz das lésbicas na sociedade civil fosse pontuada como fundamental para que mulheres desde sempre marginalizadas não fossem apagadas da história.

Por isso a GARRa FEMINISTA, fundada em Belo Horizonte, no ano de 2014, desde o seu nascimento tem como um dos seus principais objetivos não deixar que o Orgulho e a Visibilidade Lésbica sejam tratadas como pautas menores, uma vez que como Feministas Radicais o nosso foco é também a proteção, cuidado, segurança e educação das mulheres, para que possam entender sua importância na sociedade, tanto coletiva quanto individualmente.

Apesar de todos os ataques sofridos ao longo de 5 anos de estrada, é com força, determinação e desejo de libertar todas das opressões sofridas, que a GARRa, junto a outros coletivos, colocará nas ruas a 15ª Caminhada das Lésbicas e Bissexuais de Belo Horizonte, no dia 30/08/2019, porque sabemos que não há nada mais forte que uma mulher livre para amar, caminhar, falar, se posicionar e lutar.

8 de março – dia das mulheres trabalhadoras e a luta do feminismo radical.

SR9

“Mulheres Unidas” – poster do coletivo See Red

Hoje é comemorado o dia de luta das mulheres trabalhadoras, um dia para se lembrar de todas que construíram a luta feminista e contribuíram para a melhora dos direitos trabalhistas, mas também um dia para ir às ruas e continuar a luta que essas mulheres começaram. Ir para as ruas em atos é mostrar que, durante todo o ano, estaremos presentes para barrar e resistir aos ataques da direita, que atingem as mulheres seja em sua aposentadoria, seja pela intensificação da divisão sexual do trabalho. A divisão sexual do trabalho separa e estabelece uma hierarquia entre homens e mulheres, intensificando a diferença social nos postos de trabalho (trabalho “de mulher e de homem”) e dando valores monetários e sociais maiores para o trabalho dito masculino,  precarizando, assim, os postos de trabalhos ocupados por mulheres.

Estamos há dois meses de um governo de direita que se utiliza de uma batalha moral identitária para atacar e desmoralizar a esquerda,  e, ao mesmo tempo, apresenta planos de precarização do trabalho, que irão atingir com mais força as mulheres trabalhadoras. As mulheres são o maior contingente de desempregados no país, motivo pelo qual elas procuram trabalhos informais e perigosos, sejam aliciadas para a prostituição e sofram diversos tipos de violência e estigmatização. Além disso, as mulheres são as responsáveis pelo cuidado materno e do lar, tendo uma maior carga de trabalho e stress mental que os homens.  Para combater esse governo, precisamos estar organizadas e preparadas para enfrentar cada ataque direcionado a nós, precisamos entender como a divisão sexual do trabalho se evidencia nessa conjuntura.

O feminismo radical nasceu dentro da esquerda no final da década de 60 e não há como fazê-lo de outra maneira, a militância tem de ser feita pela esquerda e com todas as dificuldades que apresenta, não há atalhos na luta, é através da formação de base e da prática feminista que conseguiremos alcançar nossos objetivos.  A prática é o critério da verdade, é atuando no dia a dia que saberemos quais são as lutas e os anseios das mulheres brasileiras e conseguiremos definir com clareza nossas batalhas e estratégias. As feministas radicais do Brasil precisam se organizar e fazer a luta coletiva e, colocar as mulheres no centro da luta, é fundamental para o avanço da esquerda no país.

Neste 8 de março de 2019 a GARRa sai mais uma vez às ruas em marcha, para pedir justiça pelas vítimas de Brumadinho, atingidas pelas mãos da criminosa Vale e manifestar-se contra a reforma da previdência do governo Bolsonaro que só irá ampliar as desigualdades entre homens e mulheres na sociedade brasileira.  Lutamos também pela legalização do aborto e pela sua implementação de forma gratuita e segura em todo o SUS. O aborto ilegal segue sendo uma das principais causas de morte materna, uma evidência do controle patriarcal dos nossos corpos e a imposição da maternidade e da exploração da nossa capacidade reprodutiva.  Saímos em marcha para denunciar esse governo conservador e subserviente às pautas evangélicas, que declarou guerra às mulheres, querendo nos tomar o pouco que conquistamos!

Chamamos todas as feministas radicais do Brasil para juntarem-se conosco nessa luta, por um projeto feminista radical para todas as mulheres!

« Older posts

© 2020

Theme by Anders NorenUp ↑